Endividamento das famílias em São Luís chega a 86% e atinge maior nível desde 2021, aponta pesquisa


Rua Oswaldo Cruz, mais conhecida como Rua Grande, é o principal centro comercial de São Luís.

Endividamento das famílias em São Luís chega a 86% e atinge maior nível desde 2021, aponta pesquisa
Endividamento das famílias em São Luís chega a 86% e atinge maior nível desde 2021, aponta pesquisa (Foto: Reprodução)


Rua Oswaldo Cruz, mais conhecida como Rua Grande, é o principal centro comercial de São Luís.
Divulgação/Fecomércio-MA
O número de famílias endividadas em São Luís chegou a 86% em julho de 2026, o maior índice registrado desde 2021. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Maranhão (Fecomércio-MA) em parceria com a Confederação Nacional do Comércio (CNC).
Na prática, isso significa que, a cada 100 famílias da capital maranhense, 86 têm algum tipo de dívida. O índice representa um aumento de 24% em relação a julho de 2025, quando 69,3% das famílias estavam endividadas.
Apesar do crescimento das dívidas, o número de famílias que estão com contas atrasadas aumentou em um ritmo menor. Em julho, 28,4% das famílias tinham algum pagamento em atraso. Já 4,9% disseram que não tinham condições de quitar as dívidas.
Os números mostram uma diferença importante em relação ao período mais crítico da pandemia da Covid-19. Em março de 2021, por exemplo, o endividamento chegou a 91,1% das famílias. Naquele período, 47,9% tinham contas atrasadas e 9,1% afirmavam não ter condições de pagar as dívidas.
O cenário também é influenciado pelo aumento do custo de vida e pelas condições do mercado de trabalho. A inflação acumulada em 12 meses em São Luís chegou a 4,87% em julho, acima da média nacional, que foi de 4,44%.
Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego na Grande São Luís aumentou de 6,6% no último trimestre de 2025 para 7,6% nos primeiros três meses de 2026. A informalidade também é um fator de preocupação: 57,6% dos trabalhadores ocupados no Maranhão estão na informalidade, segundo o IBGE.
Concentração de gastos no cartão
O cartão de crédito é a principal forma de dívida entre as famílias, segundo a Fecomércio-MA. O levantamento aponta que ele é utilizado por 82% das famílias endividadas e por 83,7% das famílias com renda de até 10 salários mínimos.
Outro dado que chama atenção é o comprometimento da renda. Em julho, as famílias endividadas destinavam, em média, 29,5% do que ganhavam para pagar dívidas. Isso significa que, a cada R$ 1.000 de renda, aproximadamente R$ 295 eram usados para quitar compromissos financeiros.
Mesmo com o aumento das dívidas, o comércio do Maranhão continua apresentando crescimento. As vendas do varejo aumentaram 3,1% em junho, na comparação com o mesmo mês do ano passado. No primeiro semestre de 2026, a alta acumulada foi de 2%.

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